Eu acredito em você”: Por que essa é a frase mais poderosa contra o abuso?

Quando uma criança ou adolescente revela ter sofrido abuso, ela geralmente está tomada por medo, vergonha e dúvida sobre se será ou não levada a sério. Nesse cenário, ouvir “eu acredito em você” pode mudar tudo. Essa frase rompe um dos maiores medos de quem sofreu violência: o medo de ser acusado de mentira, exagero ou culpa. Em poucas palavras, ela diz: “o que você sente importa, sua dor é real e você não está sozinho”.

“Eu acredito em você” também combate diretamente uma das principais armas do agressor: a manipulação. Muitos abusadores ameaçam, dizem que “ninguém vai acreditar”, que “vai dar problema para todo mundo” ou que “foi culpa da própria vítima”. Quando o adulto de referência olha nos olhos e afirma que acredita, destrói essa narrativa de isolamento e devolve à criança ou adolescente a sensação de ter um aliado. É como abrir uma porta para que ela possa, finalmente, sair do silêncio.

Além disso, acreditar é o ponto de partida para qualquer proteção efetiva. Sem essa validação inicial, dificilmente a vítima terá forças para repetir sua história para profissionais, autoridades ou serviços de proteção. Ao dizer “eu acredito em você”, o adulto cria um chão emocional seguro, onde é possível contar com mais detalhes, chorar, se confundir, lembrar aos poucos — tudo isso sem o peso de precisar “provar” que está dizendo a verdade o tempo todo.

Essa frase também tem um impacto profundo na maneira como a vítima vai enxergar a si mesma no futuro. Crianças e adolescentes que são desacreditados tendem a internalizar culpa e desconfiança de seus próprios sentimentos, o que pode gerar marcas duradouras na autoestima e na saúde mental. Já quando são ouvidos e acreditados, constroem a ideia de que suas percepções têm valor e de que buscar ajuda é algo correto e possível, não uma fraqueza.

Por fim, “eu acredito em você” é poderosa porque não depende de respostas prontas, de soluções imediatas ou de saber exatamente o que fazer em seguida. Mesmo sem ter todos os passos definidos, qualquer adulto pode começar por aí: acreditar, acolher, ouvir. A partir desse ponto, é possível buscar ajuda profissional, acionar os canais de denúncia e construir uma rede de proteção. Mas tudo isso só se torna viável quando a vítima entende, pelo seu olhar e pelas suas palavras, que a verdade dela foi reconhecida — e que, a partir dali, ela não precisa mais carregar esse peso sozinha.

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