O Maio Laranja amplia o debate sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Entenda a campanha e como cada pessoa pode ajudar na proteção.
O que é o Maio Laranja?
O Maio Laranja é um movimento de conscientização e mobilização voltado ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. A campanha ganha força especialmente durante o mês de maio, quando escolas, instituições, órgãos públicos e organizações da sociedade civil promovem ações educativas e de prevenção.
A proposta vai muito além de utilizar uma cor ou realizar uma atividade pontual. O objetivo é incentivar a sociedade a falar sobre um problema que muitas vezes permanece escondido dentro de relações de confiança, ambientes familiares e espaços de convivência.
Quando uma criança ou adolescente sofre violência sexual, as consequências podem ultrapassar o momento da agressão. O medo, a vergonha, a dificuldade de falar e a sensação de não ser acreditado podem fazer com que a vítima permaneça em silêncio por muito tempo.
Por isso, informação também é uma forma de proteção.
Por que o dia 18 de maio foi escolhido?
A escolha do dia 18 de maio está relacionada ao caso de Araceli Cabrera Sánchez Crespo, uma menina de oito anos que foi assassinada em 1973, no Espírito Santo. O caso provocou grande comoção nacional e se tornou um símbolo da luta contra a violência sexual de crianças e adolescentes.
Anos depois, a data foi instituída oficialmente como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A lembrança desse caso não deve servir apenas para recordar uma tragédia. Ela também representa a necessidade de a sociedade não permanecer indiferente diante de situações de violência contra crianças e adolescentes.
O que significa “Quem Ama, Cuida. Quem Cuida, Protege”?
A frase “Quem Ama, Cuida. Quem Cuida, Protege” resume uma ideia importante: proteger uma criança não significa apenas demonstrar carinho.
Cuidar também significa prestar atenção, estabelecer limites, ouvir, acreditar quando algo é relatado e agir diante de uma situação preocupante.
Às vezes, um adulto pode pensar que está respeitando a privacidade da criança ao não fazer perguntas ou que está evitando problemas ao não interferir em determinada situação. Entretanto, a proteção exige presença e responsabilidade.
Isso não significa viver desconfiando de todas as pessoas. Significa compreender que confiança não deve eliminar cuidados básicos de segurança.
O silêncio pode esconder situações de violência
Um dos maiores desafios no enfrentamento do abuso sexual infantil é o silêncio.
Crianças podem não compreender completamente aquilo que aconteceu. Podem sentir medo de contar, acreditar que serão castigadas ou pensar que ninguém vai acreditar nelas. Quando o agressor é alguém próximo, a situação pode se tornar ainda mais confusa.
Por isso, adultos responsáveis precisam criar espaços em que a criança possa falar sem medo.
Frases simples fazem diferença:
- “Você pode me contar qualquer coisa.”
- “Eu vou ouvir você.”
- “Você não será castigado por me contar algo que aconteceu.”
- “Se alguma coisa deixar você desconfortável, pode procurar minha ajuda.”
Essas mensagens não devem aparecer somente durante o Maio Laranja. Elas precisam fazer parte da convivência cotidiana.
Como a família pode contribuir para a prevenção?
A prevenção começa muito antes de existir uma suspeita de violência.
Ensinar a criança, de maneira adequada à idade, sobre limites corporais, privacidade e respeito ajuda a desenvolver autonomia e facilita a identificação de situações desconfortáveis.
Também é importante mostrar que existem segredos que não devem ser mantidos quando envolvem medo, ameaça, constrangimento ou pedidos inadequados.
A criança precisa saber que pode procurar um adulto de confiança caso alguma situação lhe cause desconforto.
Outro cuidado importante é observar mudanças significativas de comportamento. Isolamento repentino, medo de determinada pessoa, alterações no sono, mudanças emocionais ou resistência incomum a frequentar determinado ambiente podem ter várias causas e não significam, sozinhos, que ocorreu abuso. Porém, quando aparecem junto de outros sinais, merecem atenção e uma conversa cuidadosa.
A escola também faz parte da rede de proteção
A proteção da infância não é responsabilidade exclusiva dos pais.
Escolas, serviços de saúde, assistência social, órgãos públicos e comunidade também fazem parte da rede de proteção. Esses espaços podem ajudar a identificar situações de vulnerabilidade, orientar famílias e encaminhar casos para os serviços responsáveis.
Professores e funcionários, por exemplo, podem perceber mudanças no comportamento de uma criança que passam despercebidas em outros ambientes.
Por isso, a formação dos profissionais é tão importante. Não basta dizer que é preciso proteger. É necessário saber como acolher um relato, como evitar julgamentos e quais encaminhamentos devem ser realizados.
Fazer bonito é agir
O movimento Faça Bonito reforça justamente essa responsabilidade coletiva.
Participar de uma campanha não significa apenas usar laranja, compartilhar uma publicação ou participar de uma caminhada. Essas ações ajudam a chamar atenção para o problema, mas a proteção precisa continuar depois que o mês termina.
Fazer bonito também significa:
- conversar com crianças e adolescentes sobre proteção de maneira adequada à idade;
- não ignorar sinais de possível violência;
- evitar comentários que culpabilizem a vítima;
- procurar orientação quando houver uma situação preocupante;
- conhecer os canais oficiais de denúncia e proteção;
- incentivar ambientes em que crianças possam falar sem medo.
A prevenção acontece principalmente nas pequenas atitudes do cotidiano.
Quando existe uma suspeita, não é preciso investigar por conta própria
Ao perceber uma possível situação de abuso, é importante evitar transformar a criança em responsável por investigar ou provar o que aconteceu.
Perguntas insistentes, acusações e confrontos podem aumentar o sofrimento e dificultar o atendimento adequado.
O mais importante é acolher, proteger e buscar os canais apropriados de atendimento e denúncia.
A responsabilidade pela investigação não deve ser colocada sobre a criança, sobre o adolescente ou sobre familiares que não possuem preparo técnico para isso.
Canais de proteção e denúncia no Brasil
Em situações de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes, procure os canais oficiais disponíveis na sua região.
O Disque 100 é um dos principais canais nacionais para receber denúncias de violações de direitos humanos, incluindo situações envolvendo crianças e adolescentes.
Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar os serviços de emergência e segurança pública.
Também é possível buscar o Conselho Tutelar e os serviços da rede local de proteção, como assistência social e saúde.
Em qualquer situação, a criança ou o adolescente deve ser colocado no centro da proteção, evitando exposição desnecessária e atitudes que possam aumentar seu sofrimento.
Que a proteção continue depois de maio
O Maio Laranja tem uma função importante: colocar um assunto difícil no centro da conversa.
Mas a proteção da infância não pode durar apenas um mês.
Uma sociedade realmente comprometida com suas crianças precisa transformar a conscientização em atitudes permanentes de cuidado, prevenção, escuta e responsabilidade. Pais, familiares, professores, profissionais e comunidade possuem papéis diferentes, mas todos podem contribuir para que crianças e adolescentes saibam que seus corpos, seus sentimentos e seus direitos devem ser respeitados.
Quem ama, cuida. Quem cuida, protege. E proteger também significa estar disposto a ouvir, aprender e agir.
No JLN Cuidar, informação também é uma forma de cuidado
O JLN Cuidar.com busca contribuir para esse diálogo por meio de conteúdos que valorizam a Psicologia, a proteção e o cuidado com crianças, adolescentes e famílias. Falar sobre assuntos difíceis com responsabilidade ajuda a ampliar o conhecimento e pode fortalecer a rede de proteção. Continue acompanhando o blog e encontre outros conteúdos que podem ajudar você a compreender melhor as relações familiares, a saúde emocional e a proteção de quem mais precisa de cuidado.

