Vivemos em um tempo em que estar presente fisicamente não significa, necessariamente, estar presente de verdade. Muitas vezes, o corpo está em casa, mas a mente está na tela: nas notificações, nas mensagens, no trabalho que não termina. Por isso, a pergunta “Você consegue ficar 15 minutos sem celular para ouvir seu filho hoje?” é tão poderosa. Em poucos minutos de atenção plena, uma criança pode se sentir mais vista e amada do que em horas ao lado de um adulto distraído.
Para uma criança ou adolescente, a atenção dos pais funciona como um espelho: quando você para para ouvir, a mensagem é “você é importante, o que você sente e pensa tem valor”. Quando está sempre apressado, mexendo no celular ou dando respostas automáticas, a mensagem invertida aparece: “o que está na tela é mais interessante do que você”. Com o tempo, isso afeta a autoestima, a forma como eles se enxergam e até a disposição de compartilhar o que realmente acontece em suas vidas.
Quinze minutos de escuta verdadeira podem abrir portas que você nem imagina. É nesse espaço que surgem comentários espontâneos sobre a escola, os medos, as amizades, as dúvidas e até sinais de sofrimento que, de longe, passariam despercebidos. Quando a criança sente que não será interrompida pela vibração do celular ou por um “depois a gente fala disso”, ela se arrisca mais a falar do que é importante. E é justamente aí que você se torna uma referência de confiança.
Também é nesses minutos sem tela que se reforça a prevenção de situações de risco. Um filho que tem o hábito de conversar com os pais sobre o dia, os sentimentos e os incômodos tende a procurar ajuda mais rápido quando algo grave acontece — seja bullying, um abuso, um contato estranho na internet ou qualquer outra situação. Mas isso só acontece se ele tiver certeza, na prática, de que será ouvido, e não apenas “tolerado” entre uma olhada e outra no celular.
Desafiar-se a ficar 15 minutos por dia sem nenhuma tela, apenas ouvindo e interagindo com seu filho, é um gesto simples, mas profundamente transformador. Não precisa de discursos elaborados nem de grandes programas: pode ser na mesa, no sofá, antes de dormir, durante uma caminhada. O mais importante é a qualidade, não o cenário. Ao reservar esse tempo, você está dizendo, sem palavras: “hoje, você é a minha prioridade”. E essa sensação de prioridade é um dos maiores presentes que um pai ou mãe pode oferecer.

