Depois de fazer uma denúncia de abuso contra criança ou adolescente, o primeiro passo que geralmente acontece é o registro formal do caso. Seja por telefone, internet, conselho tutelar, delegacia ou outro canal oficial, a queixa é documentada com o máximo de informações possível: quem é a vítima, quem é o suspeito, o que aconteceu, quando, onde e quem mais pode saber dos fatos. Esse registro é essencial para que o caso não se perca e possa ser acompanhado por diferentes órgãos da rede de proteção.
Em seguida, costumam entrar em ação dois eixos principais: a proteção da vítima e a investigação do que foi denunciado. O conselho tutelar, os serviços de assistência social, escolas e unidades de saúde podem ser acionados para avaliar a situação de risco, ouvir a criança ou adolescente em ambiente adequado, orientar a família e tomar medidas urgentes (como afastar o agressor da convivência, quando necessário). Paralelamente, a polícia e o Ministério Público podem iniciar procedimentos para apurar o crime, colhendo depoimentos, perícias e outras provas.
É importante saber que a vítima não deve ser obrigada a repetir sua história inúmeras vezes para pessoas diferentes. Em muitos lugares, busca-se fazer a chamada “escuta especializada” ou “depoimento especial”, em ambiente preparado e com profissionais capacitados, justamente para evitar nova violência emocional. A partir daí, os relatos são encaminhados às instâncias responsáveis (delegacia, justiça, serviços de saúde mental), reduzindo a necessidade de reviver repetidamente o trauma.
Outro ponto central é o acompanhamento psicológico e social da criança ou adolescente e, muitas vezes, da família. Após a denúncia, podem ser oferecidos atendimentos com psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para apoiar a vítima na elaboração do que aconteceu, fortalecer vínculos de confiança e orientar os responsáveis sobre como agir. Esse suporte não é um “extra”: faz parte da proteção, porque ajuda a reduzir danos emocionais e a construir um ambiente mais seguro.
Por fim, é fundamental entender que o processo pode ser demorado e, às vezes, frustrante, com idas e vindas, audiências, pareceres e decisões que nem sempre são rápidas. Mesmo assim, a denúncia nunca é em vão: ela tira o caso da invisibilidade, pode interromper o ciclo de violência, impede que o agressor aja com total impunidade e abre chances reais de proteção à vítima e a outras crianças. O papel de quem denuncia é, acima de tudo, persistir na proteção, acompanhar o caso sempre que possível e continuar sendo um ponto de apoio seguro para a criança ou adolescente ao longo de todo esse caminho.

