Informação salva vidas, especialmente quando falamos de prevenir violências contra crianças e adolescentes. Quanto mais silêncio e tabu existe em uma casa, mais espaço sobra para agressões acontecerem escondidas, sem que ninguém perceba. O diálogo aberto, respeitoso e contínuo funciona como um escudo: ele ajuda a criança a entender o que é certo e errado, a reconhecer situações de risco e, principalmente, a saber que pode pedir ajuda. Falar não é colocar medo, é dar ferramentas.
Quando uma criança aprende, desde cedo, o nome correto das partes do corpo, o que são toques permitidos e toques proibidos, o que são segredos perigosos e o direito de dizer “não”, ela fica menos vulnerável à manipulação. A desinformação é aliada do agressor: é muito mais fácil confundir e explorar alguém que nunca ouviu falar sobre consentimento, abuso, bullying ou violência online. Já a informação, transmitida com carinho e em linguagem adequada à idade, fortalece a capacidade dela de identificar algo errado e se proteger.
O diálogo também cria uma ponte entre a criança e o adulto de confiança. Quando pais e responsáveis escutam sem ridicularizar, sem minimizar (“isso é besteira”) e sem explodir em raiva, a mensagem que passam é: “você pode falar comigo sobre qualquer coisa”. Isso vale tanto para pequenas situações do dia a dia quanto para algo mais sério, como um toque inadequado, uma ameaça, uma mensagem estranha no celular. Crianças que se sentem acolhidas tendem a contar mais cedo, o que é decisivo para interromper violências.
Além disso, conversar sobre sentimentos — medo, tristeza, vergonha, raiva — ajuda a criança a colocar em palavras o que vive, em vez de só manifestar por meio de comportamentos “difíceis” (crises, isolamento, agressividade). Muitas vezes, mudanças de humor e atitudes são os primeiros sinais de que algo não vai bem. Se o diálogo já faz parte da rotina, fica mais fácil notar essas mudanças e perguntar com cuidado: “percebi que você está diferente, quer me contar o que está acontecendo?”. Assim, a informação não é só conteúdo, é também percepção do outro.
Por fim, é importante lembrar que diálogo não é uma conversa única e pronta, mas algo que se constrói todos os dias: na hora da refeição, antes de dormir, no caminho da escola, em um jogo, num filme. Pais e responsáveis não precisam ter todas as respostas, precisam principalmente estar disponíveis, admitir quando não sabem e buscar informações juntos. Ao assumir que informação salva e que falar é um ato de cuidado, você transforma sua casa em um espaço mais seguro — onde violências encontram mais barreiras e onde, se algo acontecer, ninguém precisa enfrentar o medo sozinho.

