Dicas de educação Digital para Pais: Os pais precisam estudar o básico das redes para poder identificar possíveis violências.

No mundo atual, entregar um celular ou computador a uma criança sem orientação é como deixá-la sozinha em uma cidade desconhecida. Redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens fazem parte da rotina, mas também podem expô-la a riscos como bullying, aliciamento, chantagem e exposição indevida de imagens. Por isso, educação digital não é “extra”: faz parte do cuidado básico. E isso começa pelos pais, que precisam aprender pelo menos o básico das ferramentas que os filhos usam.

Conhecer as principais redes e jogos não significa virar especialista em tecnologia, mas entender o suficiente para reconhecer sinais de perigo. Isso inclui saber como funcionam mensagens privadas, grupos, “amigos de amigos”, envio de fotos e vídeos, chamadas de voz e vídeo, denúncias e bloqueios. Também é importante conhecer termos comuns como grooming, sexting, sextortion, cyberbullying e doxing. Quando você sabe o que essas coisas significam, fica mais fácil identificar comportamentos suspeitos e perceber quando algo está errado.

Uma boa prática é pedir que seu filho mostre como ele usa as redes e os jogos: quais aplicativos mais gosta, com quem conversa, que tipo de conteúdo consome e produz. Em vez de apenas proibir, participe: crie contas (quando fizer sentido), explore configurações de privacidade, entenda como adicionar e remover contatos, como denunciar e bloquear perfis. Assim, quando precisar orientar ou intervir, você fala com conhecimento de causa e consegue, inclusive, ensinar a criança ou adolescente a se proteger sozinho.

Estudar o básico também ajuda a diferenciar sinais de uso saudável e de possível violência. Mudanças bruscas de humor após usar o celular, medo ou vergonha de mostrar conversas, uso excessivo noturno, aumento de segredos em relação às telas, exclusão rápida de mensagens ao se aproximar um adulto podem indicar que algo não vai bem. Se você conhece como a plataforma funciona, pode fazer perguntas mais específicas (“quem pode ver o que você posta?”, “você conhece pessoalmente essas pessoas?”, “alguém já te pediu fotos que te deixaram desconfortável?”), abrindo espaço para que seu filho fale.

Por fim, lembre-se: estudar educação digital não é desconfiar automaticamente dos filhos, mas assumir a responsabilidade de protegê-los também no ambiente online. Procure conteúdos confiáveis, cursos rápidos, materiais de ONGs e órgãos de proteção à infância e adolescência. Compartilhe o que aprender com outros responsáveis, escolas e familiares. Quando os adultos se informam e mantêm um diálogo aberto, as chances de perceber e interromper violências digitais aumentam muito. O recado que seu filho precisa receber é: “eu não entendo tudo de internet, mas estou disposto a aprender, caminhar ao seu lado e te proteger também nesse mundo”.

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