A proteção da infância exige atenção constante, inclusive dentro do próprio círculo familiar e social. Embora muitas vezes o abuso sexual seja associado a adultos, é importante alertar que adolescentes também podem ser autores de violência sexual contra crianças. Esse adolescente pode ser alguém próximo: irmão, primo, tio jovem, vizinho ou qualquer outro jovem com quem a criança conviva. Por isso, a prevenção começa com informação, vigilância responsável e diálogo aberto dentro de casa.
Pais e responsáveis precisam compreender que a proximidade e o vínculo familiar não eliminam riscos. Situações aparentemente comuns — como crianças brincando sozinhas com adolescentes, dormindo na casa de parentes ou permanecendo longos períodos sem supervisão — exigem atenção. A confiança é importante, mas não deve substituir a supervisão adequada. Estabelecer limites claros, observar mudanças de comportamento e acompanhar as interações são atitudes fundamentais para reduzir vulnerabilidades.
A educação preventiva também desempenha papel central. Ensinar a criança, de forma apropriada à idade, sobre partes íntimas do corpo, consentimento e o direito de dizer “não” é uma estratégia de proteção poderosa. A criança precisa saber que pode contar aos pais qualquer situação que a deixe desconfortável, sem medo de punição ou descrédito. Criar um ambiente seguro de escuta fortalece a confiança e facilita a identificação precoce de possíveis sinais de abuso.
Quando um adolescente comete abuso, a situação deve ser tratada com seriedade e responsabilidade. A vítima precisa de acolhimento imediato e proteção integral, enquanto o adolescente autor deve ser responsabilizado conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece medidas socioeducativas com foco na reeducação e na prevenção de reincidência. Ignorar, minimizar ou “resolver em família” pode perpetuar o ciclo de violência e colocar outras crianças em risco.
Prevenir é sempre o melhor caminho. Supervisão ativa, diálogo constante, acompanhamento do uso da internet e atenção às mudanças emocionais das crianças são atitudes que salvam. O abusador adolescente pode ser qualquer jovem do convívio da criança, independentemente do grau de parentesco ou proximidade. Por isso, proteger é um dever contínuo dos adultos responsáveis, que precisam agir com consciência, informação e compromisso com a segurança e o desenvolvimento saudável de seus filhos.

