A igreja é frequentemente percebida como um espaço seguro de fé e convivência, mas, infelizmente, casos de abuso sexual infantil e adolescente podem ocorrer mesmo nesses ambientes. Por isso, é fundamental que pais, responsáveis e líderes comunitários adotem medidas preventivas rigorosas. A confiança depositada em líderes, voluntários e colegas não pode substituir a atenção constante à segurança das crianças e adolescentes, nem eximir a família e a comunidade de sua responsabilidade na proteção integral.
Pais devem estar atentos aos momentos em que seus filhos estão em espaços religiosos, evitando que crianças fiquem sozinhas, mesmo para atividades simples como ir ao banheiro, beber água ou participar de brincadeiras. Supervisão próxima é essencial, pois muitas ocorrências de abuso acontecem em instantes de descuido. Ensinar a criança sobre seus direitos, partes íntimas do corpo e a importância de comunicar qualquer situação que a deixe desconfortável também fortalece a prevenção.
Além da atenção dos pais, os departamentos e ministérios responsáveis pelas crianças na igreja precisam adotar critérios rigorosos na seleção de voluntários e colaboradores. Avaliações de antecedentes, entrevistas e treinamento sobre prevenção do abuso são medidas indispensáveis. O cuidado deve ser contínuo, garantindo que adultos responsáveis por crianças estejam preparados, conscientes de suas responsabilidades e comprometidos com a segurança e bem-estar dos menores.
A prevenção também se estende aos adolescentes, especialmente durante programas, acampamentos ou atividades fora do ambiente da igreja. A supervisão deve ser mantida, garantindo que jovens não fiquem isolados com outros adolescentes ou adultos desconhecidos. É importante ressaltar que o risco não está apenas em pessoas estranhas: conhecidos, colegas, membros da comunidade e até pessoas de confiança também podem representar perigo. Por isso, nenhuma situação de isolamento deve ser considerada inofensiva. Líderes e pais precisam estabelecer regras claras, acompanhar de perto as interações e manter canais de comunicação abertos para que qualquer sinal de desconforto ou situação suspeita seja relatado imediatamente.
Proteger crianças e adolescentes em espaços religiosos exige uma atuação conjunta da família e da comunidade. Supervisão, seleção cuidadosa de voluntários, educação preventiva e comunicação aberta são pilares essenciais para reduzir riscos. Nenhuma atividade ou programa deve substituir a responsabilidade dos pais ou da comunidade em garantir que a fé seja vivida em segurança, respeitando a dignidade e os direitos de cada criança e adolescente.

