A adultização infantil ocorre quando crianças são expostas, de forma precoce, a comportamentos, responsabilidades, linguagens ou conteúdos que pertencem ao universo adulto. Esse fenômeno pode se manifestar por meio da erotização, da cobrança excessiva por maturidade, da exposição inadequada nas mídias e até pela forma como a sociedade passa a enxergar a criança não como sujeito em desenvolvimento, mas como alguém que “já sabe demais”. Ao retirar da criança o direito de viver sua infância, abre-se espaço para diversas violações de direitos.
A perda da infância fragiliza a criança emocionalmente e compromete sua capacidade de reconhecer situações de risco. Crianças adultizadas tendem a confundir limites, a normalizar comportamentos inadequados e a se sentirem responsáveis por situações que não compreendem plenamente. Esse cenário cria um ambiente favorável para o abuso, pois o agressor se aproveita da vulnerabilidade, do silêncio e da falsa ideia de maturidade atribuída à vítima.
A erotização precoce é uma das faces mais graves da adultização infantil. Quando a criança passa a ser vista ou estimulada como objeto de desejo, seja por roupas, danças, conteúdos digitais ou discursos, ocorre uma violação direta de sua dignidade. Essa exposição contribui para a naturalização do abuso, deslocando a responsabilidade do agressor e reforçando estigmas que culpabilizam a própria criança pela violência sofrida.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes têm direito ao desenvolvimento físico, emocional, moral e social em condições de liberdade e dignidade. A adultização infantil fere esses princípios, pois impede o desenvolvimento saudável e seguro. Família, escola, poder público e sociedade têm o dever de proteger, orientar e garantir ambientes que respeitem o tempo da infância.
Prevenir o abuso passa, necessariamente, pelo combate à adultização infantil. É fundamental promover uma educação baseada no cuidado, no respeito aos limites e na escuta ativa das crianças. Proteger a infância é proteger vidas, assegurar direitos e construir uma sociedade mais justa, onde nenhuma criança seja privada do direito de ser criança.

