O que é “Grooming”? Entenda como aliciadores preparam a criança antes do abuso.

“Grooming” é o processo em que um aliciador se aproxima de uma criança ou adolescente, geralmente pela internet, para ganhar sua confiança e quebrar suas defesas até chegar ao abuso, seja ele sexual, emocional ou envolvendo exploração de imagens íntimas. Diferente da ideia de um ataque repentino, o grooming é planejado, gradual e mascarado de amizade, carinho ou “relacionamento especial”. O agressor, muitas vezes, se apresenta como alguém da mesma idade ou um pouco mais velho, compreensivo e “diferente de todos os outros adultos”.

Esse processo costuma começar com conversas aparentemente inocentes: interesses em comum, jogos, músicas, séries, problemas na escola ou em casa. O aliciador observa vulnerabilidades — solidão, conflitos familiares, baixa autoestima — e passa a ocupar o lugar de quem entende, apoia e defende. Aos poucos, aumenta a frequência do contato, cria segredos (“não conta isso para seus pais, eles não vão entender”) e faz a criança sentir que aquela relação é única e especial. É assim que ele vai isolando a vítima emocionalmente dos adultos de confiança.

Depois de conquistar a confiança, o agressor começa a introduzir temas de sexualidade e intimidade, geralmente de forma sutil: piadas, comentários sobre corpo, perguntas sobre experiências afetivas. Aos poucos, pode pedir fotos “normais”, depois fotos com menos roupa, até chegar a imagens íntimas ou situações de abuso direto. Muitas vezes, usa chantagem emocional (“se você não mandar, vou ficar chateado”, “vou sumir”) ou ameaça (“vou mostrar essas fotos para todo mundo”, “vou contar isso para seus pais”) para manter o controle. A criança, confusa e com medo, se sente presa.

Entender o grooming é essencial para perceber que a culpa nunca é da criança ou do adolescente. Eles são manipulados por alguém que usa técnicas específicas para burlar a confiança e explorar fragilidades, se aproveitando da imaturidade emocional e da falta de experiência. Por isso, frases como “por que você não contou antes?”, “como você deixou isso acontecer?” só aumentam a vergonha e o silêncio. O foco precisa estar em interromper o abuso, proteger a vítima e responsabilizar o agressor, não em julgar quem foi enganado.

A prevenção passa, principalmente, por informação e diálogo aberto. Conversar com crianças e adolescentes sobre limites, segredos perigosos, consentimento, riscos da exposição online e direito de dizer “não” é uma das formas mais poderosas de proteção. Explicar, com linguagem adequada à idade, que adultos (ou pessoas mais velhas) não têm o direito de pedir fotos íntimas, conversar sobre temas sexuais em segredo ou ameaçar por causa de algo enviado é fundamental. Acima de tudo, é preciso reforçar sempre: “se algo assim acontecer, você pode me contar, eu vou acreditar em você e a culpa nunca será sua”. Essa mensagem é a chave para quebrar o isolamento que o grooming tenta construir.

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