Seu filho esconde as coisas porque morre de medo da sua reação?

Quando um filho começa a esconder coisas porque morre de medo da reação dos pais, isso é um sinal importante sobre como ele enxerga a segurança emocional dentro de casa. Mentiras, omissões e segredos, muitas vezes, não nascem de maldade, mas de pavor: pavor de gritos, humilhações, castigos exagerados ou de “decepcionar” quem ele ama. Em vez de olhar apenas para o que foi escondido, vale a pena se perguntar: “O que meu comportamento está ensinando para ele sobre errar e contar a verdade?”.

Crianças e adolescentes que têm medo da reação dos pais costumam antecipar o que vai acontecer: “Se eu contar, vou apanhar”, “vão gritar comigo”, “vão me chamar de irresponsável”, “vão me comparar com outros”. Para evitar essa dor, escolhem o silêncio ou a mentira. O problema é que isso cria um ciclo perigoso: quanto mais o adulto reage com explosão, mais o filho aprende a esconder. Com o tempo, a relação deixa de ser de confiança e passa a ser de vigilância, controle e fuga.

Quebrar esse ciclo exige rever a forma como você reage aos erros. Isso não significa “passar a mão na cabeça” ou fingir que nada aconteceu, e sim trocar o ataque pelo diálogo firme, porém respeitoso. Em vez de começar com acusações (“você é irresponsável!”, “você sempre faz tudo errado!”), tente perguntas que ajudem a entender o que houve: “O que aconteceu?”, “o que você pensou na hora?”, “como podemos resolver isso juntos?”. Quando o foco sai de culpar a pessoa e vai para resolver o problema, o medo diminui e a honestidade ganha espaço.

Outra mudança poderosa é reconhecer, com humildade, quando você exagera. Pedir desculpas ao filho após uma explosão não tira sua autoridade; ao contrário, mostra maturidade e ensina responsabilidade emocional. Frases como “eu me excedi”, “não gostei do que você fez, mas também não gostei de como eu falei”, “vou tentar reagir de outro jeito da próxima vez” abrem uma nova porta na relação. Aos poucos, a mensagem que fica é: “Eu posso errar e ainda assim ser ouvido, sem ser destruído”.

Construir um ambiente em que seu filho não tenha medo da sua reação é um processo, não um passe de mágica. Envolve mais escuta, menos rótulos, consequências proporcionais (e explicadas) em vez de punições motivadas só pela raiva, e conversas frequentes sobre sinceridade e confiança. Quando a casa se torna um lugar onde é possível contar a verdade — inclusive sobre coisas difíceis —, o filho não precisa mais se esconder. E você passa de “pessoa que assusta” para “adulto de referência”, aquele a quem ele recorre justamente quando algo dá errado.

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