O mundo virtual criou novas formas de relacionamento — e também novas formas de violência. Por isso, entender termos como grooming, doxing, sextortion e sexting é fundamental para proteger crianças, adolescentes e até adultos. Esse “dicionário do perigo virtual” não serve para gerar pânico, mas para dar nome ao que acontece escondido nas telas. Quando sabemos identificar um risco, temos muito mais chances de agir rápido e buscar ajuda antes que o dano seja maior.
Grooming é o processo em que um aliciador se aproxima de uma criança ou adolescente, quase sempre pela internet, para ganhar confiança e, aos poucos, levá-lo a situações de abuso, principalmente sexual. Começa com conversas aparentemente inocentes, elogios, atenção excessiva e criação de “segredos” entre os dois. O agressor se aproveita de vulnerabilidades emocionais e vai quebrando as defesas da vítima até conseguir o que quer: fotos íntimas, encontros presenciais ou outras formas de exploração. Não é culpa da criança: é manipulação planejada por um adulto.
Doxing é a exposição de dados pessoais de alguém sem consentimento, geralmente com intenção de intimidar, ameaçar ou humilhar. Pode incluir nome completo, endereço, telefone, local de trabalho, escola, perfis de redes sociais e até dados de familiares. Quando essas informações vão parar em grupos ou páginas, a pessoa passa a sofrer ataques, perseguições e medo real pela própria segurança. Em casos envolvendo crianças e adolescentes, o risco se torna ainda maior, porque facilita a ação de agressores e perseguidores.
Sexting é o envio consensual de mensagens, fotos ou vídeos de conteúdo íntimo/sexual, geralmente entre pessoas que estão se relacionando. O grande perigo é que esse material pode ser salvo, compartilhado ou usado fora do contexto original, principalmente quando envolve menores de idade. A partir daí, pode surgir a sextortion: chantagem feita com base em conteúdos íntimos. O agressor ameaça divulgar fotos ou vídeos se a vítima não fizer algo — mandar mais imagens, pagar dinheiro, manter contato. A sensação de vergonha e medo prende a pessoa em um ciclo de silêncio que muitas vezes só se rompe com ajuda externa.
Conhecer esses termos é o primeiro passo para conversar com crianças e adolescentes de forma clara e preventiva. Explicar, com linguagem adequada à idade, que ninguém tem o direito de pedir fotos íntimas, de expor dados pessoais, de ameaçar divulgar algo ou de manter segredos desconfortáveis é parte da proteção. E reforçar sempre: se algo assim acontecer, a culpa nunca é da vítima — e ela pode (e deve) contar a um adulto de confiança, que vai acreditar, acolher e buscar ajuda. Informação não é só conteúdo técnico: é uma forma concreta de cuidado e segurança no mundo digital.

