Você é firme ou autoritário? Como a rigidez excessiva afasta seu filho de você.

Ser um pai ou mãe “firme” é muito diferente de ser autoritário, embora, na prática, essa linha às vezes pareça confusa. A firmeza envolve colocar limites claros, dizer “não” quando necessário e orientar o comportamento dos filhos com responsabilidade e afeto. Já o autoritarismo se apoia no medo, na obediência cega e em frases como “é assim porque eu mandei”. Enquanto a firmeza educa, o excesso de rigidez pode criar distância emocional e dificuldade de diálogo.

Quando a rigidez é excessiva, a mensagem que a criança ou adolescente recebe não é “meus pais se importam comigo”, mas sim “eu preciso tomar cuidado para não apanhar, não levar bronca, não ser humilhado”. Em vez de pensar sobre o que fez, ele passa a pensar apenas em como evitar a reação dos adultos. Isso pode gerar mentiras, segredos e uma sensação constante de tensão em casa. A relação deixa de ser um espaço de aprendizado e passa a ser um terreno de medo e vigilância.

Ser firme sem ser autoritário significa focar no comportamento, não na identidade da criança. Em vez de dizer “você é irresponsável”, o adulto pode dizer “o que você fez foi irresponsável, e precisamos conversar sobre isso”. A diferença parece pequena, mas é enorme para quem escuta: uma coisa rotula a pessoa, a outra aponta o erro e abre espaço para mudança. Firmeza também implica em consequências coerentes e explicadas, e não em punições “no calor da raiva” ou muito maiores do que o erro cometido.

A rigidez excessiva também afasta o filho porque diminui a chance de ele procurar você quando algo sério acontece. Se ele aprendeu que erros menores já geram explosões, gritos ou castigos desproporcionais, por que confiaria em você para compartilhar medos, problemas na escola, conflitos com amigos ou até situações de risco? A longo prazo, isso fragiliza o vínculo: os pais pensam que “controlam”, mas, por dentro, muitas vezes perderam o lugar de referência emocional.

Rever a própria postura não significa abrir mão de limites ou “virar amigo permissivo”, e sim buscar um equilíbrio saudável. É possível ser claro, consistente, dizer “não” e aplicar consequências, ao mesmo tempo em que se escuta, explica e respeita. Perguntar-se com honestidade “meu filho tem medo de mim ou confia em mim?” é um bom começo. Quando a casa se torna um lugar em que é possível errar, conversar e reparar, a autoridade deixa de se basear no medo e passa a se sustentar no respeito — e é aí que o vínculo se fortalece de verdade.

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