A escola deve ser um espaço seguro de aprendizado e desenvolvimento, mas infelizmente situações de abuso sexual podem ocorrer também nesse ambiente. Esses episódios podem envolver adultos da instituição, prestadores de serviço, visitantes ou até outros estudantes. Muitas vezes, o abuso acontece em momentos de vulnerabilidade, como em banheiros, corredores pouco movimentados, salas vazias, atividades extracurriculares ou quando há falha na supervisão. Reconhecer que o risco pode existir é o primeiro passo para fortalecer a proteção.
A prevenção começa com informação e supervisão adequada. A instituição escolar precisa adotar protocolos claros de segurança, controle de acesso de pessoas externas, monitoramento de áreas isoladas e capacitação contínua de professores e funcionários. O dever de proteção é reforçado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece que família, sociedade e poder público são responsáveis por garantir a integridade física e emocional de crianças e adolescentes. Ter canais de denúncia acessíveis e uma equipe preparada para acolher relatos é essencial para interromper qualquer situação de violência.
Além das medidas institucionais, é fundamental ensinar crianças e adolescentes sobre autoproteção. Eles devem saber que têm direito ao próprio corpo e que podem dizer “não” diante de qualquer toque ou aproximação que cause desconforto. Caso se sintam em perigo em qualquer espaço da escola — como banheiro, sala de aula vazia ou pátio — é importante que saibam reagir: dizer não com firmeza, gritar, correr para um local com mais pessoas e pedir ajuda imediatamente a um adulto de confiança. Essas orientações não substituem a responsabilidade dos adultos, mas fortalecem a capacidade de reação diante de risco.
Os pais também desempenham papel decisivo na prevenção. Manter diálogo constante, observar mudanças de comportamento, ensinar limites corporais desde cedo e incentivar os filhos a contar qualquer situação desconfortável são atitudes que aumentam a proteção. A criança precisa ter segurança para relatar sem medo de punição ou descrédito. O silêncio e a vergonha são aliados da violência; a informação e o acolhimento são ferramentas de defesa.
Proteger crianças e adolescentes na escola é uma responsabilidade coletiva. Exige vigilância ativa, formação adequada dos profissionais, participação da família e educação preventiva contínua. Quando todos — escola, pais e alunos — conhecem seus direitos, deveres e estratégias de proteção, reduz-se significativamente o risco de abuso e fortalece-se um ambiente verdadeiramente seguro para o desenvolvimento saudável.

