Como ensinar seu filho a jamais guardar segredos perigosos?

Ensinar seu filho a jamais guardar segredos perigosos começa por explicar, desde cedo, a diferença entre “segredo legal” e “segredo perigoso”. Segredos legais são aqueles que dão uma sensação boa e não fazem mal a ninguém, como preparar uma surpresa de aniversário. Já os segredos perigosos causam medo, vergonha, tristeza, dor ou envolvem algo que um adulto disse que “ninguém pode saber”. Quando a criança entende essa diferença, ela se sente mais segura para identificar situações em que precisa pedir ajuda.

Outra atitude importante é repetir, muitas vezes e de formas diferentes, que ela nunca será culpada por contar um segredo perigoso. Crianças costumam ter medo de “dar problema” ou “deixar alguém bravo”, então é essencial reforçar frases como: “na nossa família, segredos que machucam não existem”, “se alguém fizer você se sentir mal e mandar guardar segredo, pode me contar na mesma hora”. Essa mensagem precisa ser constante, não só depois de ver uma notícia, mas no dia a dia, em conversas simples.

Usar exemplos concretos e adequados à idade ajuda muito. Você pode dizer: “Se alguém tocar no seu corpo de um jeito que você não gosta, tirar foto sem você querer, falar coisas que te deixam com vergonha, ou mandar você fazer algo escondido, isso nunca é um segredo seu, é um problema do adulto — e eu quero saber”. Livros infantis, desenhos e histórias podem ser aliados para mostrar que contar a um adulto de confiança é sempre o caminho certo quando algo parece estranho ou assustador.

Também é fundamental construir um ambiente em que a criança sinta que pode falar de qualquer coisa, sem medo de bronca imediata. Se, sempre que ela erra, é recebida com gritos ou punições duras, é menos provável que procure você para revelar algo sério. Procure ouvir primeiro, acolher, agradecer por ela ter contado e, depois, com calma, orientar. Quando a criança aprende que pode falar sobre assuntos difíceis sem ser humilhada, aumenta muito a chance de que ela revele segredos perigosos.

Por fim, ajude seu filho a identificar uma “rede de adultos de confiança”: além dos pais ou responsáveis, pode haver um parente próximo, professor, orientador ou outro adulto que você reconhece como seguro. Explique que, se por algum motivo não conseguir falar com você, pode falar com essas pessoas. Reforce sempre: segredos que machucam não se guardam, se contam. Esse ensinamento, repetido com afeto e clareza, é uma das proteções mais poderosas que você pode oferecer contra situações de abuso ou violência.

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